Brasil, el mundial de fútbol y las elecciones presidenciales de octubre

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Dilma Rousseff Brasil 2

El Mundial de Fútbol Brasil 2014 llegó a su final. La sorprendente derrota de Brasil frente a la selección de Alemania, un decepcionante cuarto lugar y el escándalo que antecedió el evento por los retrasos en las obras, pero todavía más por el gasto excesivo (11.000 millones de dólares), así como el clientelismo y la corrupción consecuentes, sumado al descontento de algunos sectores de la población expresado a través de movilizaciones durante 2013 y 2014 pueden considerarse como factores que han afectado la imagen de la presidente Dilma Rousseff quien aspira a la reelección en las elecciones de octubre próximo, sin embargo y pese a verse afectada, Rousseff todavía lidera la intención de voto en las encuestas, por lo que puede pensarse que será reelegida, lo que de momento parece inevitable es que deba ir a segunda vuelta. El analista brasilero Fábio Ostermann* responde algunas preguntas sobre el impacto del mundial y el futuro próximo del país.

¿Cómo se percibe el impacto del mundial y sus resultados en el futuro próximo del país y de cara a la contienda electoral?

O impacto ainda é duvidoso. Antes da Copa tinha-se a clara impressão de que, apesar de o governo apostar muito em seu sucesso, a decisão de sediar o evento havia sido uma péssima ideia. Com o início da Copa, o clima de festa acabou tomando conta e o povo esqueceu, por um tempo, toda a corrupção e o manejo incompetente de recursos públicos envolvidos na construção de estádios e demais obras de preparação para a Copa.

Com o fim da Copa e com a saída dramática/vexaminosa do Brasil dele, a narrativa eleitoral de um país campeão, realizador da “Copa das Copas” sofreu um sério abalo. Se a Copa tivesse sido um sucesso dentro e fora de campo para o Brasil, o atual governo certamente colheria frutos positivos, devido ao clima de satisfação e otimismo que isso geraria. Mas não foi o caso, e agora o debate deve se voltar para os legados da Copa – além, é claro, de como iremos pagar as contas dessa grande festa.

Teniendo en cuenta algunos episodios de violencia en las calles, ¿cómo vivió Brasil la salida de la competencia tras la derrota frente a Alemania?

Não houve grandes episódios de violência. Além disso, faz tempo que a Seleção Brasileira não representa um elemento de coesão nacional tão forte no Brasil como parece ser o caso em outros países, como a Argentina, por exemplo.

El expresidente Lula señaló en días pasados que el resultado del mundial no tendría implicaciones políticas, a partir de los resultados y los demás factores negativos, ¿la reelección de la presidente Dilma Rousseff puede verse en peligro?

Não creio que a conexão entre um fato (derrota da Seleção) com outro (vitória de Dilma) seja tão direta. O fato, no entanto, é que a maneira como se deram as coisas não a favorece. Trata-se mais de uma oportunidade de ganhos eleitorais que se perdeu do que propriamente um fato que lhe causará perdas.

Analisando a história recente da democracia brasileira (em especial desde 1994, quando as eleições presidenciais passaram a coincidir com os anos de Copa do Mundo), percebemos que não existe um padrão que nos faça crer que vitórias dentro de campo tragam vitórias eleitorais. Em 1994, por exemplo, o Brasil foi campeão e a situação elegeu seu candidato. Em 1998 perdemos de forma chocante a final contra a França (3 a 0) e o Presidente Cardoso obteve a reeleição 4 meses depois. Em 2002 a Seleção foi campeã novamente encantando o mundo com um futebol inspirador, mas quem venceu foi a oposição (Lula foi eleito). Em 2006, caímos nas quartas-de-final de forma bastante decepcionante e Lula foi reeleito. Em 2010, caímos novamente nas quartas, mas tínhamos uma equipe sobre a qual não pairavam grandes expectativas – e Lula elegeu sua sucessora, Presidente Dilma Rousseff.

Claro que esse ano temos uma situação bastante diferente pelo fato de o Brasil ser o país-sede e por termos caído de forma tão humilhante. Mas o resultado dentro de campo não tende a ser um fator de tanta influência nas urnas, ainda que tenha o impacto de impossibilitar uma narrativa eleitoral de “Copa das Copas” de forma coerente.

Dilma Rousseff aún lidera las encuestas, sin embargo, ¿es posible que el malestar pueda aumentar de aquí a octubre?

Dilma ainda é favorita e segue liderando as pesquisas de intenção de voto. A situação pode e, sim, tende a mudar até o dia 5 de outubro. Ela dispõe de uma grande vantagem em relação aos oponentes, que é o fato de, bem ou mal, estar em evidência há quatro anos. Os adversários ainda lutam contra a falta de conhecimento do eleitorado. No Brasil, o voto é obrigatório, o que faz com que um imenso contingente de pessoas que dispoem de um grau baixíssimo de informação política tenha muita influência eleitoral. Esse é o eleitor que tende a votar em quem conhece, além de motivado por práticas coronelistas que ainda dominam boa parte do Norte e Nordeste do Brasil (regiões mais pobres do Brasil, onde Dilma e o PT são predominantes).

A tendência atualmente aponta para um segundo turno entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), com um certo favoritismo de Dilma em vencer ao final.

Porto Alegre, 15 de julio 2014.

FO Brasil

*Fábio Ostermann, analista político. Formado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde também estudou Economia. Graduado em Liderança para a Competitividade Global pela Georgetown University (EUA) e em Política e Sociedade Civil pela International Academy for Leadership (Alemanha). Mestrando em Ciências Sociais/Ciência Política na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em 7 países e 14 estados brasileiros. Foi Koch Summer Fellow na Atlas Economic Research Foundation (Washington, DC), Diretor Executivo do Instituto Liberdade, Curador da Mostra Cultural do 24° Fórum da Liberdade e Diretor de Formação e Conselheiro Fiscal do Instituto de Estudos Empresariais (IEE) e Diretor Executivo do Instituto Ordem Livre. É associado honorário do IEE, co-fundador da rede Estudantes Pela Liberdade, tendo sido o primeiro presidente de seu Conselho Consultivo, e Diretor de Relações Institucionais do Instituto Liberal (IL).

 

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